OPINIÃO

Os maiores erros da reta final de “Game of Thrones”

*o texto a seguir contém spoilers do último episódio

Após oito temporadas, “Game of Thrones” chegou ao final neste domingo (19). O controverso encerramento da saga de fantasia baseada nos livros de George R. R. Martin tem dado o que falar em todas as rodas de conversa de fãs das “Crônicas de Gelo e Fogo”.

Todo mundo quer encontrar respostas para tentar entender como uma das séries mais aclamadas e premiadas, não só da HBO mas da televisão americana, quiçá do mundo, pode terminar de maneira tão decepcionante. E pior, a derrocada de GoT não chegou somente através do último episódio, mas foi tomando forma desde o início da recente temporada.

Como uma tragédia anunciada, a cada novo capítulo apontávamos as inconsistências do roteiro, as displicências da equipe, as falhas na condução de um ou outro personagem (ou de vários?).

Cersei Lannister (Lena Headey) deveria ter tido muito mais destaque na oitava temporada, em respeito a sua excelente trajetória na trama. Matá-la daquela forma sem graça chega a ser um ultraje aos aficionados pelo seriado.

E o que dizer de Bran Stark (Isaac Hempstead-Wright)? Se era para ter se tornado o rei dos Sete Reinos, ele não merecia mais tempo de cena? Até mesmo o ator que interpreta o filho mais novo de Ned Stark (Sean Bean), em entrevista à Entertainment Weekly, afirmou que achou se tratar de uma piada quando soube o destino de seu personagem.

Já Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) morreu pelas mãos de Jon Snow (Kit Harington) em uma cena previsível e sem emoção (pelo menos Drogon não decepcionou).

Por falar no último Targaryen (revelação que no final das contas não serviu para nada em termos de construção de narrativa) teve sua vida poupada pelo dragão, e posteriormente pelo Grande Conselho de Westeros, para depois retornar ao posto de Comandante da Patrulha da Noite, contrariando a marca de evolução do personagem.

Aliás, o fato de Drogon ter queimado apenas o trono de ferro gerou muitas dúvidas entre os espectadores. Apesar da série nunca ter deixado evidente, a franquia literária trata os dragões como criaturas dotadas de inteligência e determinado grau de percepção.

Sendo assim, Drogon não matou o Jon pois ele era o último Targaryen e, caso precisasse de um membro da família para chocar ovos em um futuro hipotético, o assassino de sua mãe teria que estar vivo.

Apesar de termos assistido à desfechos coerentes com o arco dramático de alguns personagens – como os de Sansa Stark (Sophie Turner), Arya Stark (Maisie Wiiliams) e Tyrion Lannister (Peter Dinklage) -, o saldo da história terminou profundamente negativo.

Para quem se acostumou também com belos diálogos sobre articulações políticas e intrigas familiares, a sequência que determinou os destinos de Jon, Tyrion e Sansa foi outra frustração.

Quem diria que isso seria possível vide a qualidade da direção e destreza dos roteiristas nos primórdios do seriado. Infelizmente, isso ficou para trás. Tudo soou muito apressado, mal formatado. Teria sido mais digno deixar o Rei da Noite vencer a batalha de Winterfell e encerrar “Game of Thrones” com todos mortos.

É nítido que não souberam lidar com a alta expectativa do público de GoT e foram perdendo a mão no roteiro cada vez mais. Na realidade, até mesmo se soubessem, possivelmente não atenderiam às expectativas de uma audiência com desejos tão variados. Ainda existem as pontas soltas no enredo para retomar a série daqui a alguns anos (será?), ou para costurar os spin-offs.

Agora resta saber como George R. R. Martin vai concluir os dois últimos livros que não saem nunca. Diante das inúmeras críticas, é bem provável que neste instante ele esteja reescrevendo diversos trechos. Quanto aos fãs, fica um incômodo que parece irremediável.

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: