Por meio de uma estrutura fragmentária, quatro atrizes-jogadoras destroem e reconstroem tempos-espaços para compor um retrato-mosaico de situações enfrentadas pelas mulheres em ambientes de guerra.

KAPUTT é uma palavra alemã que significa “fragmentado”, “destruído” e pode significar “cabeça”. Na guerra, por exemplo, os mortos eram contados por cabeça. Também é um poema performativo feito por/para quatro atrizes-jogadoras que, por meio de uma estrutura fragmentária, destrói e reconstrói tempos-espaços que se (re)configuram por meio de personagens que se desdobram em outras para compor um retrato-mosaico de situações enfrentadas pelas mulheres em ambientes de guerra.

O espetáculo possui como disparador dramatúrgico relatos de mulheres em situação de guerra contidos nos livros A Guerra Não Tem Rosto de Mulher de Svetlana Aleksiévitch e Eu Venho de Uma Vila em Chamas de Aliés Adamóvitch, Iánka Bril e Vladímir Koliésnik. No entanto, não restringe o olhar somente para a Segunda Guerra Mundial.


Volta-se também para guerras civis cotidianas por meio da não-linearidade textual, para mostrar as diferentes camadas do feminino em tempos-espaços distintos – mulher, bicha afeminada, mulher trans, fêmeas – violados na(s) guerra(s) com o intuito de retratar a universalidade da dor.
Para isso, o espetáculo mistura fragmentos de realidade e ficção dando luz a uma multiplicidade de vozes como, por exemplo, a de duas jovens que sabendo que serão fuziladas optam por morrerem se beijando em praça pública, de uma soldada russa que – ao ir para o front com sua filha pequena – teve que sacrificá-la para não ser morta por nazistas ou de uma mãe-gato que é feita de escudo-vivo por uma matilha de cães-
soldados para não serem mortos.

Consciente de que falar de guerra, além de ser uma temática recorrente em filmes e peças de teatro, pode ser apelativo, panfletário e ideológico, a encenação opta por uma linguagem onde os fatos históricos cedem lugar à poética da situação visando um distanciamento intencional dos relatos narrados, sendo inteiramente corroborada por uma iluminação não-convencional do espaço cênico e por figurinos/adereços alegóricos
que propiciam a criação de uma camada onírica sobre o real.


Visa-se, desta maneira, o distanciamento emocional do espectador – em tempos de extrema polarização política – para provocar sua reflexão sobre a(s) guerra(s) sem maniqueísmos ou julgamentos. Não é de interesse do espetáculo apontar vítimas e culpados, heróis e vencidos, mas encontrar a dor humana em ambos os lados do campo de batalha.

Serviço

Temporada de 03 a 19 de maio
Sextas e Sábados 20h | Domingos às 19h
Ingresso Consciente: Pague o quanto achar justo
Classificação Indicativa: 16 anos
Teatro de Contêiner Mungunzá
Rua dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia – São Paulo/SP
Contato: (11) 97245-2195 – Tom Rezende | tonrezende@outlook.com
E-mail: ciadovoo.teatro@gmail.com Redes sociais: @ciadovoodeteatro

Fotos: Italo Iago

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