TEATRO

LOLOUCAS com Heloísa Périssé e Maria Clara Gueiros no Teatro Raul Cortez

Depois de três temporadas de sucesso, a comédia Loloucas prorroga temporada em São Paulo, no Teatro Raul Cortez, até dia 30 de junho.

No espetáculo, as personagens, assíduas frequentadoras de teatro, chegam atrasadas a uma peça e, ao tentarem ir embora, de repente se veem em cima do palco e acabam ganhando a cena. E ali em cima falam, com muito humor, dos amigos, das realizações, das frustrações, dos sonhos realizados e não realizados, da inexorável passagem do tempo, enfim, da vida.

Heloisa conta como nasceu a ideia do espetáculo: “Quando cheguei aos 50 anos, pensei: talvez eu não tenha mais 50 pela frente. Então, preciso canalizar minha  energia de uma forma sábia”, resume Heloísa, sobre seu momento de vida.

“Pensei inicialmente em fazer um monólogo, mas minha personagem se referia o tempo todo a uma Ieda, Ieda, um belo dia, Ieda pulou do papel e ai percebi: Ieda quer ganhar vida! E como Domingos Oliveira sempre me disse, as melhores histórias são aquelas que os personagens escrevem, trouxe Ieda a existência!” E esse papel foi oferecido a MARIA CLARA GUEIROS, de quem ela é amiga há 30 anos.

“Poderia ter feito as personagens com as nossas idades reais, mas achei melhor romper com o tempo e o espaço, afinal acredito que tudo realmente esteja acontecendo ao mesmo tempo. A criança que fomos ainda é viva dentro de nós, por vezes damos vazão ao nosso lado adolescente e quando chegamos a “melhor idade” teoricamente já passamos por tudo isso, então já está tudo ali, dentro de nós. É só acessarmos. E podemos brincar com tempo, ir e vir e descobrimos finalmente a liberdade da existência É realmente pra quem decide escolher assim, A MELHOR IDADE”.

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Quem costura a trama é o experiente ator e diretor Otávio Muller, que optou por uma cena sóbria, elaborada pelo cenógrafo Dado Marietti, onde o foco é o trabalho das duas atrizes:

“A coisa que mais me interessa é a comunicação, baseada em um texto vivo. Em geral, vou pelo caminho do que é mais simples, como fazia o Asdrúbal (Trouxe o Trombone), por exemplo, e como fiz n’A vida sexual da mulher feiae em Josephine Baker, duas experiências especiais que vivi como diretor”, explica Otávio.

A opção pela montagem despojada é percebida também na caracterização das personagens, sintetizada nos figurinos de Teca Fichinski, “O mais importante é o trabalho de corpo, voz e interpretação, em detrimento de suportes muito literais”, destaca o diretor, que conta ainda com a iluminação de Paulo Cesar Medeiros para acentuar os climas do espetáculo.

Autora do texto e também das letras musicadas por Max Viana, diretor musical e compositor da trilha sonora da peça, Heloísa analisa:

“A grande conclusão é que a vida começa a acontecer na sua plenitude quando se perde o medo de perder. A partir de uma certa idade, podemos nos sentir mais livres de julgamentos. É um momento maravilhoso, onde, sem medo, se perde o telhado para ganhar as estrelas. E as duas personagens ensinam a envelhecer com muita alegria”.

SERVIÇO
Loloucas, de Heloisa Périssé, com direção de Otavio Muller
Teatro Raul Cortez – Rua Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista
Temporada: de 5 de abril até 30 de junho
Às sextas, às 21h30; aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 18h
Ingressos: R$90 (inteira) e R$ 45 (meia-entrada)
Gênero: Comédia
Classificação: 12 anos
Duração: 70 minutos

Fotos: Douglas Jaco

Fui em Roraima nascer, em Minas Gerais crescer e em São Paulo ser alguém, sou designer de moda, pós graduado em comunicação e marketing em mídias digitais por formação, blogueiro desde 2006 por um feliz acidente do destino, viciado em café, adoro conversar, ouvir historias e dar conselhos.

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